O meio audiovisual viu, nos últimos tempos, adaptações que lembram este Os Inocentes, que estreia agora na Netflix.

Acompanhamos vampiros apaixonados e lobisomens angustiados, entre tantos outros exemplos que poderíamos citar para mostrar que o mesmo gênero ainda resiste: o romance sobrenatural.

Essas pessoas, metade humanos e metade alguma coisa que ainda não sabemos, lutam contra a sua natureza para tentar alcançar alguma normalidade.

Sejam adolescentes ou adultos, todos queriam, no fim das contas, é alcançar uma vida tranquila, amando e sendo amados e fazendo coisas que todas pessoas comuns fazem, mas não conseguem ignorar o monstro que vive dentro deles.

Mudando de forma

A série mostra a rotina de uma adolescente que percebe poder imitar a forma de qualquer pessoa apenas tocando nelas.

Esse é um poder e tanto, que ela começa a exercitar com frequência, apesar da descoberta ter sido absolutamente acidental.

Quando finalmente toma ciência do seu poder, ela começa a aproveitá-lo – em primeiro lugar, de forma consciente. Mas isso não dura para sempre.

Além dessa questão, Os Inocentes aborda também um tema ainda mais inventivo: como ela tem um namorado, o que acontece quando eles descobrem que um deles se tornou, literalmente, o reflexo da outra?

Aparentemente isso seria algo para arruinar a vida de qualquer um, mas os dois acabam aprendendo a lidar com ela.

Portanto, a série mostra como é a vida desses dois adolescentes, que precisam conviver com esse poder e aprender a usá-lo da melhor forma possível.

Mas esse é só o primeiro tema que se mostra na produção. E talvez o mais leve deles.

Para dar o clima de suspense, há um médico de poucos escrúpulos que caça e faz experimentos com mulheres que têm o mesmo poder (sim, ela não é a única) para descobrir o que há de tão especial em seus DNAs, e a partir daí ela e seu namorado precisam fugir para escapar de um destino bastante cruel.

Em Os Inocentes, verificamos uma variação desse tema. Entre erros e acertos, a série é uma excelente pedida para uma maratona.

Qualidades e defeitos

A tentativa de fazer uma série de mistério ao estilo Supernatural talvez não se encaixe tão bem na proposta de Os Inocentes quanto um romance.

Mesmo que um pouco estranho, e com a questão do cientista maluco (interpretado, aliás, pelo magistral Guy Pierce) rondando os capítulos, ainda o que dá mais destaque é a interação entre o casal principal, que não faz feio.

A gente acaba comprando a ideia.

Além disso, a série tem seus méritos técnicos, com cenários e fotografia bastante esmerados para uma produção desse tipo. Mas ainda há algo faltando.

A falta de concisão e algumas firulas podem torná-la meio cansativa. É algo que infelizmente acontece com a maioria das séries produzidas para streaming.

Porém, nada que estrague a experiência: nos episódios finais ela engata novamente e temos uma produção pela qual a gente acaba torcendo para uma renovação.

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