Quem cresceu esperando ver Os Incríveis 2 no cinema, agora se sente plenamente realizado. Afinal, foram 14 anos de espera.

Não só por finalmente conseguir assistir a continuação de uma das animações mais incríveis.

Olha o trocadilho aí, de todos os tempos, mas porque ela realmente tem o seu valor como obra da sétima arte: é um primor de técnica.

Brad Bird, diretor dos Incríveis 2, é um veterano das animações que, em seu primeiro filme pela Pixar, conseguiu 4 indicações ao Oscar (vencendo duas: uma para Melhor Animação, outra para Melhor Mixagem de Som).

Um feito e tanto repetido três anos depois com Ratatouille, outro grande clássico do estúdio.

Ao voltar para o universo incrível que desenvolveu na metade da década passada, Bird parece não ter perdido a mão. Pelo contrário: parece nunca ter saído de lá.

Os Incríveis 2 – Para crianças e adultos

É claro que Os Incríveis 2 foi pensado também para as crianças de hoje, que poderão se divertir bastante com a família Pera.

Mas fica evidente que o foco está naquele adulto que, há 14 anos, assistiu ao primeiro longa quando ainda era uma criança ou adolescente.

O sentimento de nostalgia é gigante, e num bom sentido.

Todos os elementos que fizeram sucesso na animação de 2004 retornam com a mesma força e graça daquela época.

A força do longa está justamente nisso.

É a velha história do “em time que está ganhando não se mexe”, tanto é que até as características físicas dos personagens foram mantidas, isso considerando que a tecnologia de computação está muito avançada hoje e poderia provocar enormes melhorias nesse quesito.

Porém, mudar as coisas é tirar de foco o que interessa, que é a identificação.

Foi o que aconteceu, em um exemplo inesquecível (mesmo que fora do campo das animações), quando Steven Spielberg trouxe Indiana Jones de volta, em 2008.

Ao invés de manter a ambientação da mesma forma como era nos anos 80, quando a trilogia original foi produzida, ele inseriu diversas modificações técnicas que desagradaram e deslocaram o arqueólogo mais famoso do mundo tanto de seu público-alvo quanto de pessoas novas interessadas na produção.

Por sorte, Brad Bird e companhia sabiam exatamente onde queriam chegar.

É como música para os ouvidos – literalmente

No que diz respeito a sua técnica, Os Incríveis 2 também é gigante.

Por mais que se note que pouco se mexeu no design dos personagens e dos ambientes, é visível o salto de qualidade nas texturas e nos detalhes que a tecnologia de antes não eram capazes de reproduzir.

O filme fica particularmente muito bonito em 3D, o que é uma raridade.

Além disso, vale destacar também o carisma dos excelentes personagens.

Toda a família Pera é maravilhosamente engraçada e genuína, em especial o bebê Zezé, que ganha ainda mais destaque agora por ser um dos pivôs do longa – que faz com que a trama se desenrole.

E tudo isso embalado por um roteiro muito bem amarrado, obra também de Brad Bird, que mascara um longa de empoderamento feminino em um filme de animação. É genial.

Por fim, mas não menos importante, o que deve ser destacado (e que num futuro não muito distante começará a ser reconhecido pelas premiações da temporada de ouro) é a trilha sonora de Michael Giacchino.

A grande mente por trás de vários sucessos do cinema nesta última década faz aqui o seu melhor trabalho desde “Up – Altas Aventuras”, filme pelo qual venceu o Oscar de Trilha Sonora.

Seus temas são empolgantes e pontuam muito bem as cenas de ação quase ininterruptas do filme. Certamente seu trabalho será lembrado, tal como a produção como um todo.

Valeu esperar. Os Incríveis 2 é cinema de qualidade, e uma animação como a Pixar sabe fazer de melhor. Se nos últimos anos o estúdio pareceu dar mostras de cansaço, desde Viva – A Vida é uma Festa que as coisas têm melhorado e eles parecem estar novamente dispostos a criar verdadeiros clássicos para todas as idades. Ainda bem.

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