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Os melhores universos compartilhados do cinema e da televisão

by Lucas Chartzie
Os melhores universos compartilhados do cinema e da televisão

Durante muito tempo, assistir a um filme significava acompanhar uma história com começo, meio e fim. Se o personagem fizesse sucesso, existia a possibilidade de ganhar uma continuação. Entretanto, Hollywood encontrou uma maneira ainda mais ambiciosa de manter o público conectado: criar universos compartilhados, nos quais diferentes personagens, histórias e franquias coexistem dentro de uma mesma continuidade.

Essa estratégia transformou a maneira como acompanhamos filmes e séries. Agora, uma produção pode apresentar um personagem que ganhará destaque em outra obra, enquanto acontecimentos aparentemente isolados podem se tornar fundamentais para uma grande história no futuro.

O sucesso dessa fórmula ajudou a consolidar algumas das maiores franquias do entretenimento. Da expansão do Universo Cinematográfico Marvel às diferentes histórias de Star Wars, existem universos compartilhados que conquistaram milhões de fãs e mudaram a maneira de produzir entretenimento.

Mas quais são os melhores exemplos dessa estratégia? E o que faz alguns universos funcionarem tão bem enquanto outros parecem perder o rumo?

1. Universo Cinematográfico Marvel

É impossível falar sobre universos compartilhados sem começar pelo Universo Cinematográfico Marvel, conhecido pela sigla MCU.

Iniciado com Homem de Ferro, em 2008, o projeto da Marvel Studios construiu uma continuidade na qual diferentes super-heróis poderiam existir no mesmo mundo. A ideia ganhou força com produções como O Incrível Hulk, Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador.

O grande diferencial estava na possibilidade de reunir esses personagens em uma mesma produção.

Em 2012, Os Vingadores demonstrou o potencial comercial e narrativo dessa estratégia. Personagens que haviam protagonizado histórias individuais se encontraram em um filme que funcionava como uma grande celebração das produções anteriores.

A Marvel não inventou o conceito de universo compartilhado, mas ajudou a transformá-lo em uma das principais estratégias comerciais do cinema contemporâneo.

A fórmula atingiu outro patamar com Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato. As duas produções utilizaram anos de histórias, conflitos e desenvolvimento de personagens para construir um confronto que envolveu diferentes franquias.

O público não estava apenas acompanhando um filme. Estava assistindo à conclusão de uma longa jornada.

Naturalmente, o modelo também apresenta desafios. Quanto maior o universo, mais difícil se torna manter a continuidade, equilibrar diferentes personagens e permitir que novos espectadores compreendam a história sem precisar assistir a dezenas de produções anteriores.

Mesmo com essas dificuldades, o MCU continua sendo uma das experiências mais importantes da história dos universos compartilhados.

2. Star Wars

O universo de Star Wars demonstra que uma franquia pode ultrapassar os limites do cinema e se transformar em um ecossistema de histórias.

Criada por George Lucas, a saga começou em 1977 e conquistou gerações com sua combinação de aventura espacial, conflitos políticos, mitologia e personagens marcantes.

Com o passar dos anos, Star Wars expandiu sua narrativa para além dos filmes.

Animações como Star Wars: The Clone Wars e Star Wars Rebels desenvolveram personagens e acontecimentos que ganharam novas dimensões em outras produções. Posteriormente, séries como The Mandalorian, Andor e Ahsoka ampliaram diferentes partes desse universo.

Uma das principais vantagens de Star Wars é a possibilidade de explorar épocas, regiões e conflitos distintos sem abandonar completamente sua identidade.

Andor, por exemplo, apresenta uma abordagem política e dramática relacionada à formação da Aliança Rebelde. Já The Mandalorian acompanha uma jornada mais próxima do faroeste espacial, com foco em um protagonista que percorre diferentes regiões da galáxia.

Essas produções demonstram que um universo compartilhado não precisa contar sempre a mesma história.

O segredo está em preservar elementos fundamentais da franquia enquanto se permite que diferentes criadores explorem novos gêneros, personagens e perspectivas.

Outro aspecto importante é a relação entre as produções. Personagens e acontecimentos introduzidos em animações podem reaparecer em séries live-action, criando conexões que recompensam os fãs mais dedicados.

Por outro lado, essa expansão exige cuidado para que o público não sinta que precisa acompanhar absolutamente tudo para compreender os filmes e as séries principais.

Ainda assim, Star Wars continua sendo um dos exemplos mais interessantes de como uma propriedade intelectual pode atravessar diferentes gerações e formatos.

3. DC e o universo de séries da CW

Durante os anos 2010, a televisão também demonstrou que era possível construir universos compartilhados de super-heróis sem depender exclusivamente dos grandes lançamentos cinematográficos.

O exemplo mais conhecido foi o conjunto de séries da DC exibidas pela emissora americana The CW.

Arrow, lançada em 2012, apresentou uma versão mais urbana e dramática do Arqueiro Verde. O sucesso da produção abriu espaço para The Flash, que introduziu um protagonista com poderes e uma abordagem mais próxima da ficção científica.

Posteriormente, outras séries, como Supergirl, Legends of Tomorrow e Batwoman, ampliaram esse universo televisivo.

O chamado Arrowverse ficou conhecido por seus crossovers, episódios especiais nos quais personagens de diferentes produções se reuniam para enfrentar ameaças maiores.

Um dos momentos mais ambiciosos foi Crise nas Infinitas Terras, evento televisivo que reuniu personagens e referências de diferentes adaptações da DC.

A iniciativa também explorou o conceito de multiverso, permitindo que versões distintas de personagens e realidades coexistissem.

O principal mérito desse universo foi demonstrar que uma franquia compartilhada poderia ser desenvolvida gradualmente na televisão, criando vínculos entre personagens ao longo de várias temporadas.

Entretanto, a expansão também trouxe dificuldades. Algumas séries perderam força com o tempo, e a quantidade de conexões entre produções tornou a continuidade mais complexa.

Apesar disso, o Arrowverse deixou uma marca importante na história das adaptações de super-heróis para a televisão.

4. MonsterVerse

Nem todo universo compartilhado precisa de super-heróis, viagens espaciais ou equipes de protagonistas.

O MonsterVerse, construído em torno de criaturas gigantes como Godzilla e King Kong, demonstra como o cinema de monstros pode se beneficiar dessa estratégia.

A franquia ganhou forma com Godzilla, lançado em 2014, e continuou com Kong: A Ilha da Caveira, de 2017.

Embora os filmes apresentassem protagonistas e cenários diferentes, as produções começaram a estabelecer conexões relacionadas à existência de criaturas gigantes e à organização Monarch.

Posteriormente, Godzilla II: Rei dos Monstros e Godzilla vs. Kong ampliaram a escala dessa narrativa.

O universo também chegou à televisão com Monarch: Legado de Monstros, série que explora diferentes períodos da história da organização e amplia o conhecimento sobre a convivência entre humanos e titãs.

Uma das vantagens do MonsterVerse é sua premissa relativamente simples: existem criaturas gigantes que fazem parte de um mundo muito maior do que a humanidade compreende.

Essa ideia permite explorar diferentes personagens, épocas e conflitos sem exigir que todas as produções tenham exatamente o mesmo estilo.

Enquanto alguns filmes privilegiam batalhas monumentais, outras histórias podem explorar o impacto dessas criaturas sobre a sociedade.

O resultado é um universo compartilhado que utiliza a escala dos monstros como principal elemento de identidade.

5. The Walking Dead

O universo de The Walking Dead começou como uma adaptação dos quadrinhos de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, mas gradualmente se transformou em uma franquia televisiva com diferentes produções.

A série original estreou em 2010 e acompanhou sobreviventes tentando reconstruir suas vidas em um mundo dominado por mortos-vivos.

Ao longo das temporadas, a narrativa apresentou diferentes comunidades, antagonistas e conflitos relacionados à sobrevivência.

O sucesso abriu espaço para outras produções, incluindo Fear the Walking Dead, The Walking Dead: World Beyond e séries derivadas centradas em personagens conhecidos.

Entre os exemplos mais recentes de expansão estão The Walking Dead: Daryl Dixon, The Walking Dead: Dead City e The Walking Dead: The Ones Who Live.

Essas produções demonstram uma vantagem importante dos universos compartilhados: personagens que já conquistaram o público podem continuar protagonizando histórias próprias, enquanto novos cenários e conflitos ampliam o mundo original.

A franquia também apresenta uma diferença interessante em relação ao MCU.

Em vez de construir uma grande equipe para enfrentar uma ameaça global, The Walking Dead costuma explorar conflitos locais, relações humanas e as consequências sociais de uma catástrofe.

Isso permite que diferentes séries apresentem interpretações próprias sobre o mesmo apocalipse.

Entretanto, a multiplicação de derivados também pode gerar desgaste. Quando uma franquia depende excessivamente de personagens conhecidos, existe o risco de reduzir o impacto de suas histórias ou tornar suas conclusões menos definitivas.

Mesmo assim, The Walking Dead continua sendo um exemplo relevante de expansão narrativa na televisão.

6. O universo de Invocação do Mal

O terror também encontrou espaço para explorar universos compartilhados.

A franquia Invocação do Mal começou em 2013, apresentando os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren em uma história inspirada em relatos associados ao casal.

O sucesso do filme abriu caminho para produções derivadas, como Annabelle, Annabelle 2: A Criação do Mal, A Freira e A Freira 2.

Esses filmes ampliaram a mitologia da franquia por meio de objetos amaldiçoados, entidades sobrenaturais e acontecimentos relacionados a diferentes períodos.

A principal vantagem desse universo está na possibilidade de explorar ameaças distintas sem depender sempre dos mesmos protagonistas.

Uma boneca aparentemente inofensiva pode sustentar uma narrativa própria, assim como uma entidade religiosa fictícia pode protagonizar uma história ambientada em outro país.

O universo também demonstra que conexões entre filmes não precisam ocupar o centro da narrativa. Em muitos casos, basta compartilhar personagens, objetos ou referências para criar a sensação de que as histórias fazem parte de uma mitologia maior.

Entretanto, o modelo apresenta um risco: transformar cada elemento assustador em uma oportunidade para lançar outro filme.

Quando isso acontece, o terror pode perder parte de sua imprevisibilidade e passar a depender mais do reconhecimento de personagens e referências.

Ainda assim, Invocação do Mal provou que o gênero pode construir uma franquia interconectada sem reproduzir exatamente a fórmula dos filmes de super-heróis.

7. Star Trek

Star Trek representa um dos exemplos mais antigos e duradouros de expansão de um universo ficcional por meio de diferentes produções televisivas e cinematográficas.

A franquia começou na televisão em 1966, com Star Trek: The Original Series, e apresentou uma visão de ficção científica centrada na exploração espacial, no contato com outras civilizações e em questões sociais.

Ao longo das décadas, a franquia ganhou séries como The Next Generation, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise, além de diferentes filmes.

Produções mais recentes, como Discovery, Picard e Strange New Worlds, ampliaram as possibilidades de explorar períodos distintos e novos personagens.

Ao contrário de universos construídos principalmente em torno de grandes eventos, Star Trek utiliza sua continuidade para explorar ideias.

Uma série pode concentrar-se em viagens de exploração, enquanto outra acompanha disputas políticas, conflitos militares ou dilemas éticos.

O universo compartilhado funciona porque existe uma identidade temática capaz de conectar histórias diferentes.

A franquia também demonstra que nem toda expansão precisa estar voltada para um único grande confronto. Em muitos casos, o próprio universo é o principal atrativo.

O que faz um universo compartilhado funcionar?

Os exemplos apresentados mostram que não existe uma fórmula única para construir um universo compartilhado de sucesso.

O MCU se destaca pela reunião de personagens e pela construção de grandes eventos. Star Wars utiliza uma mitologia ampla para explorar diferentes períodos e gêneros. O MonsterVerse aposta na escala de suas criaturas, enquanto Invocação do Mal transforma elementos sobrenaturais em histórias independentes.

Apesar dessas diferenças, algumas características aparecem com frequência nas franquias mais bem-sucedidas.

A primeira é a existência de uma identidade própria. O público precisa reconhecer o universo mesmo quando acompanha personagens diferentes.

A segunda é a qualidade das histórias individuais. Um filme ou episódio deve funcionar por seus próprios méritos, mesmo quando apresenta conexões com outras produções.

A terceira é o planejamento. Referências, personagens e acontecimentos precisam ser utilizados de maneira coerente, sem transformar cada história em uma simples preparação para a próxima.

Por fim, é fundamental compreender que expandir uma franquia não significa necessariamente melhorá-la.

Mais filmes e séries podem ampliar as possibilidades narrativas, mas também podem provocar cansaço quando a quantidade de conteúdo se torna mais importante do que a qualidade.

O futuro dos universos compartilhados

Os universos compartilhados continuam sendo uma ferramenta importante para o cinema e a televisão, mas o público está cada vez mais familiarizado com suas estratégias.

Isso significa que reunir personagens conhecidos já não é suficiente para garantir o sucesso de uma produção.

As franquias precisam oferecer histórias relevantes, personagens interessantes e experiências capazes de justificar a continuidade.

O futuro desse modelo talvez dependa menos da quantidade de conexões e mais da liberdade criativa concedida a cada produção.

Um universo compartilhado pode funcionar como um grande cenário para histórias independentes, sem exigir que todos os caminhos levem a um único confronto.

Afinal, o que torna esses mundos fascinantes não é apenas a possibilidade de ver personagens diferentes se encontrando. É a sensação de que existem outras histórias acontecendo além daquela que estamos acompanhando.

E, quando essa sensação é bem construída, o universo ficcional se torna muito maior do que qualquer filme ou série isolada.

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