Filmes como O Protetor 2 aparecem com frequência no mercado americano, tanto é que esse, como diz no nome, é a continuação de um outro que basicamente possui o mesmo tema.
É aquela velha coisa do homem que faz justiça ao seu modo, sujando as mãos e resolvendo crises de uma forma muito particular.
Em resumo: o homem médio estadunidense, considerado um herói por fazer as coisas ao seu modo – mesmo que isso resulte em injustiças flagrantes.
E claro isso é um problema. Talvez não para o mercado interno americano, onde costuma fazer sucesso, mas para todos os outros, que não entendem como é que um brucutu pode resolver uma crise diplomática grave, por exemplo, (e percebendo que a arte imita a vida, trataram de eleger Trump como presidente, veja só).
Portanto, O Protetor 2 é menos um filme de ação e mais um filme de panfletagem, mesmo que use o carisma inegável de Denzel Washington para propagar essa ideia.
Uma ideia estranha e antiquada
Todo mundo se lembra do Charles Bronson matando geral na cinessérie Desejo de Matar (se você é jovem e não sabe o que é isso, procure no Google ou assista ao remake com o Bruce Willis lançado recentemente).
A noção hoje é de que esse personagem na verdade era um psicopata antissocial, mas por anos ele foi celebrado como herói por fazer as coisas ao seu jeito e supostamente defender a sociedade. Entretanto, a figura mítica que ele representa para boa parte da população continua viva, e filmes como O Protetor 2 celebram esse ideário potencialmente perigoso.
À parte esse viés político, O Protetor 2 falha também como filme de ação. Denzel Washington, que tenta a todo custo virar um ator de filmes desse gênero há muitos anos, ainda se dá melhor com os dramas do que com a correria e os tiroteios, e simplesmente não convence como um justiceiro que defende a família de qualquer mal.
Ele soa deslocado, apesar de seu enorme talento e carisma quase nos convencer da verdade de seu personagem.
Lamentavelmente, quando ele passa a distribuir porrada nos malvadões, a gente vê… Denzel Washington. Definitivamente, ele não é um Liam Neeson.
Um longa equivocado
Antoine Fuqua, diretor de, entre outros, Dia de Treinamento (que deu a Denzel um Oscar de melhor ator e um filme que mistura drama e ação na medida certa), erra o tom em O Protetor 2 por ser fiel demais ao longa anterior – que já era um tanto quanto equivocado por conta de suas ideias meio sem noção.
Chega a ser chato acompanhar as falações e interações com os outros personagens, e quando as cenas eletrizantes aparecem, são curtas e sem graça. Não há salvação.
Fica clara a falta de talento da equipe técnica, já que a fotografia e a edição são quase amadoras. Fuqua e Washington mereciam coisa melhor.
Por mais que o terço final tente fazer do longa algo melhor, é tarde demais: já passamos uma hora e meia sentados esperando alguma coisa de interessante acontecer – pois quando acontece ou é desinteressante ou apela para os chavões ao estilo Bronson.
Quem gosta de violência despropositada, vai adorar O Protetor 2.
Mas se você tiver um pouco mais de apuro na hora de escolher um filme para ver, passe reto.