A gente já conhece filmes de monstro de cor e salteado, e Megatubarão agora faz parte dessa estatística.

Se parar para pensar por meio segundo, alguns títulos que vem à cabeça são: Godzilla, O Monstro do Lago Ness, King Kong, Tubarão… são tantos filmes desse sub-gênero que dá até para se perder na memória.

Entretanto, todos os que eu citei aqui como exemplo são memoráveis, filmes excelentes e atemporais. Não dá para dizer o mesmo de Megatubarão.

Apesar de sua premissa interessante e que vem baseada em um livro de sucesso, o filme não empolga por problemas técnicos que até poderiam passar batidos se não fosse um outro problema, bem mais grave: Jason Statham.

O homem não combinou para o papel, por mais boa ideia que pudesse parecer. E é isso que vamos explicar a seguir.

Megatubarão e o fracasso do blockbuster

Aparentemente os super-heróis da Marvel são os únicos com poder para se tornarem arrasa-quarteirão de verdade. Enquanto os personagens da DC ainda correm atrás do prejuízo, Capitão América e companhia limitada nadam de braçada. E o que sobra aos outros filmes que se propõem a esse cenário? Nada. Megatubarão tentou ocupar esse espaço e até teria conseguido se não fossem suas falhas que estragam a festa.

Boa parte da culpa recai sobre o diretor Jon Turteltaub, que é chegado em uma mediocridade (vide aquela série de filmes de aventura meio cópia de Indiana Jones com o Nicolas Cage). Seus planos são óbvios: imagens fechadas quando dentro da estrutura aquática nas Fossas das Marianas, onde o filme inicialmente se passa; depois, procura filmar do alto e com câmeras largas para dar a impressão de que o megalodon – o tubarão-fóssil com mais de 30 metros de largura – é realmente gigante.

Isso nas mãos de um cineasta realmente talentoso resultaria em um filmaço. Nas mãos de Turteltaub, resulta em pouca inventividade e um filme que tenta ser grandioso, mas só soa forçado. E isso que nem falamos do problema principal.

Jason Statham? Sério?

O maior problema de Megatubarão está em seu astro principal. Jason Statham é o cara perfeito para esse tipo de filme, mas até nisso a direção erra: ele não acerta o tom em nenhum momento. Parece forçado, deslocado e sempre preocupado em parecer bem em seu melhor ângulo. Ele nunca foi conhecido por ser um talento de atuação ao nível de um Marlon Brando ou um Robert de Niro, mas sempre deu conta do recado. Estranhamente, aqui ele está muito abaixo das expectativas.

Statham, neste filme, está mais preocupado em soltar frases de efeito com sua voz grave e seu olhar meio Clint Eastwood. E os coadjuvantes são tão dispensáveis que não dá nem graça de falar sobre eles, de tão dispensáveis que são. O que resta são algumas poucas cenas bem realizadas (a primeira aparição do enorme tubarão é uma delas), mas que resulta depois em clichês vistos em todos os filmes de monstro anteriores. Todos mesmo.

Em resumo, Megatubarão é um filme que não terá uma carreira muito longa nos cinemas e nem na memória de quem o assistiu. Pode até ser um filme que diverte e tem seus momentos, mas que não tem nada de marcante ou de valor. É uma diversão descerebrada que não deixa marcas – o que é uma pena, pois o que esperávamos, visto os trailers do longa, é uma enorme dentada de tubarão na nossa cara.

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