Sobrenatural: A Última Chave, quarto filme da franquia iniciada por James Wan em 2010.
Ele vem para comprovar como as produções de terror podem ser cansativas em se tratando de nos oferecer o “mais do mesmo”.
Sobrenatural pode não ter escapado do velho clichê
As velhas fórmulas, ah, as velhas fórmulas. Talvez, não exista no mundo um gênero cinematográfico que use mais fórmulas do que o terror.
Isso não seria necessariamente ruim se as produções, em sua maioria, tivessem alguma grande qualidade, como a tentativa de criar algo novo, ou usar bem os batidos clichês do gênero.
Mas, na prática, não é isso o que vemos.
Dirigido por Adam Robidel, do ótimo A Possessão de Deborah Logan, o mais novo exemplar da cinessérie Sobrenatural começa muito bem.
Com uma sequência de tensão envolvendo um certo núcleo familiar.
O interessante é que esses momentos abordam muito bem questões como o abuso doméstico, ao lado do terror propriamente dito.
Este, por sua vez, é bem pontuado nessa sequência inicial, onde o clima de tensão vai se construindo aos poucos.
Pode lembrar até o estilo Wan de filmar, priorizando mais o silêncio do que qualquer outra coisa.
Só que aí o filme dá um salto temporal para o tempo presente, e as coisas começam a desandar.
É quando voltamos a encontrar a paranormal Elise, e os seus ajudantes Specs e Tucker (esses, claramente, uma tentativa frustrada de alívio cômico dentro da trama).
E, é a partir desse instante que se torna claro que o maior problema de Sobrenatural: A Última Chave é simplesmente o seu roteiro desonesto.
Ele se utiliza de truques baratos para causar uma tensão. muitas vezes, boba e sem nexo.
Exemplo? Num determinado momento, Elise diz que não vai ajudar alguém no Novo México.
Que está enfrentando problemas com espíritos porque se trata da casa onde ela morou no passado, e sofreu abusos do pai.
Horas depois, do nada, decide ir.
Numa sequência imediatamente posterior, ela fala que Specs e Tucker não poderão acompanhá-la, para, minutos depois, aceitar que vão.
Indecisão da personagem? Não. Trata-se apenas de um artifício barato de roteiro para criar um clima que vai ser quebrado em seguida.
Algumas incoerências …
As incoerências não param por aí, com os personagens sempre estando, “misteriosamente”, no lugar certo, na hora certa.
Há, inclusive, dois plot twists bem interessantes no decorrer da estória, mas, que são tão permeados por furos na trama, que acabam perdendo o impacto.
A inserção de novos personagens, nesse sentido, só atrapalha, com um deles chegando ao cúmulo de ir buscar, sem a mínima necessidade, um determinado objeto na tal casa mal assombrada.
O intuito, claro, foi o de proporcionar mais sustos, através dos personagens burros de sempre.
Para tentar “aliviar” a tensão (não precisava, já que ela é bem frouxa), Specs e Tucker tentam fazer piadinhas sem graça a todo momento.
Tucker, pelo seu sarcasmo natural, ainda consegue alguns bens momentos nesse sentido.
Mas, Specs (interpretado por Leigh Whannell, que também é o roteirista dos todos os quatro filmes da franquia) é um personagem irritante ao extremo.
Apresentando um humor pastelão que destoa bastante do que o filme apresenta.
Por sinal, Whannell se mostra, além de um roteirista bastante limitado, um ator bem fraco.
Quem consegue tirar leite de pedra aqui é a veterana Lin Shaye, que consegue fazer da sua Elise uma personagem interessante.
Mesmo que suas atitudes, neste filme, destoem um pouco da produção anterior, quase como se a personagem fosse outra pessoa.
Também merece destaque o visual da criatura, vilã do filme, um demônio com chaves no lugar dos dedos, que é tão medonho e apavorante quanto a freira de Invocação do Mal 2.
Nossa análise
Mas, de resto, é aquela velha estória de sempre:
personagens convenientemente estando nos lugares certos e tomando as atitudes que o roteiro exige para que sustos fáceis sejam gerados.
O terror, mesmo, fica em segundo plano, pois, dificilmente, alguém perderá o sono assistindo Sobrenatural: A Última Chave
Algo, convenhamos, fundamental para esse tipo de filme.
Para os filmes de 2018 honestamente, um dos mais fracos.
Nota: 5/10.
3 comments
É interessante, não? Também achei uma excelente produção. Este filme é um dos melhores do gênero de terror que estreou. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia. Os filmes de terror evolucionaram com melhores efeitos visuais e tratam de se superar a eles mesmos. Eu gosto da atmosfera de suspense que geram, e em Sobrenatural: A última chave acho que conseguem muito bem. O elenco é parte fundamental para que o filme de um medo terrível. É um dos melhores filmes de terror em 2018. O que eu mais gosto é o terror psicológico. Se ainda não viram, deveriam e se já viram, revivam o terror que sentiram. Depois de vê-la você ficara com algo de medo, poderão sentir que alguém os segue ou que algo vai aparecer.
Com certeza Antônio, uma excelente produção!
Com certeza Antônia uma excelente produção que deixa os demais do gênero p trás. 😉